domingo, 2 de dezembro de 2012

A máquina que governa o mundo


Na WHSmith em Heathrow já nao é possível dar o nosso dinheiro a um ser humano - o único disponível está de pé junto ao posto de trabalho que costumava ocupar e diz-nos para ir para as máquinas. As maquinas tentam vender-nos chocolates enquanto pagamos por uma garrafa de água e é preciso ter cuidado (e saber Ingles), para não comprar o chocolate sem querer. Também nos vendem um saco de plástico por quatro pence. Hoje em dia o saco plástico tornou-se num bem precioso - já nao há sacos gratuitos.

Na controlo de segurança do aeroporto, numa fila mandam descalçar, na outra não. Em londres há que ter um saco plástico para os líquidos, em Lisboa não. A senhora atrás de mim, uma finlandesa que vai a casa visitar a mãe, diz que da ultima vez a fizeram passar os líquidos para um saco mais pequeno porque o outro "tinha demasiado vazio". 

Na verdade o que falta hoje é algum vazio, algum espaço para respirar e ter contato humano. Tantas regras e procedimentos se aplicam e tanto erro e antipatia se gera.

Tudo está regulado. O écran eletrônico diz que a porta de embarque será anunciada às 6,30, mas às 6,34 continua a mostrar a mesma informação. Os aviões que tocam terra em Portugal estão sempre atrasados em todos os aeroportos. 

Há uma máquina que governa o mundo e que lentamente vai criando rotinas meticulosas em todos os aspetos da nossa vida. Chegará o momento em que um único número será decisivo para toda a nossa existência.

Por enquanto, a máquina que governa o mundo está em overload  e falha constantemente.

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