O embrulho conceptual é que a maquilhagem transmite poderes associados a estes cristais e pedras.
Chocante para mim é que se usem estes materiais sem saber as consequências para a saúde, bastando uma qualquer propriedade mística e do domínio do espiritualismo para se pôr o produto na pele dos consumidores.
Mas além deste motivo de saúde pública, existe para mim um outro mais profundo. A M.A.C. usa obras de arte concebidas pela Natutreza durante milhões de anos, irrepetíveis e que não se produzirão mais senão daqui a milhões de anos, para alimentar um acto de vaidade que se esvai ao fim de umas horas num toalhete, para o caixote do lixo.
Os cristais são, para um semi-mineralista que já fui, um milagre feliz da Natureza, uma conjugação de forma e beleza como há poucas. Que alguém os olhe como pó para pintar os olhos é para mim o sinal de uma cegueira irracional e motivada pelo fútil pelo fútil, ou pior, o fútil pelo lucro imediato. É como pegar nos quadros de Van Gogh e retalhá-los para fazer malas descartáveis de senhora. A este ponto chegámos no assumpção de que somos os donos de uma herança em que nascemos, e que, em rigor, não nos pertence, nós é que lhe pertencemos. Abominável!
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