segunda-feira, 18 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Em defesa das pedras
Um artigo na edição domimical de 26 de Junho de El País deixa-me estarrecido. Uma marca de ponta de cosméticos (M.A.C.), em assomo de loucura criativa e não sabendo que mais inventar para satisfazer os "fetichistas" da cosmética, parte para o Brasil para fazer cosméticos com pedras semi-preciosas. Deparam-se com um primeiro problema, grave para uma empresa americana: o uso de pedras na maquilhagem só é permitido pelo FDA (Food and Drug Administration) de forma limitada. Das 14 pedras seleccionadas acabam por só poder usar a bronzite (?), a lepidolite, a pirite e a turmalina negra. Descartam pedras com a turmalina negra, o quartzo rosa ou o topázio. Mas com pena, e admitem vir a usá-las no futuro.



O embrulho conceptual é que a maquilhagem transmite poderes associados a estes cristais e pedras.
Chocante para mim é que se usem estes materiais sem saber as consequências para a saúde, bastando uma qualquer propriedade mística e do domínio do espiritualismo para se pôr o produto na pele dos consumidores.
Mas além deste motivo de saúde pública, existe para mim um outro mais profundo. A M.A.C. usa obras de arte concebidas pela Natutreza durante milhões de anos, irrepetíveis e que não se produzirão mais senão daqui a milhões de anos, para alimentar um acto de vaidade que se esvai ao fim de umas horas num toalhete, para o caixote do lixo.
Os cristais são, para um semi-mineralista que já fui, um milagre feliz da Natureza, uma conjugação de forma e beleza como há poucas. Que alguém os olhe como pó para pintar os olhos é para mim o sinal de uma cegueira irracional e motivada pelo fútil pelo fútil, ou pior, o fútil pelo lucro imediato. É como pegar nos quadros de Van Gogh e retalhá-los para fazer malas descartáveis de senhora. A este ponto chegámos no assumpção de que somos os donos de uma herança em que nascemos, e que, em rigor, não nos pertence, nós é que lhe pertencemos. Abominável!
O embrulho conceptual é que a maquilhagem transmite poderes associados a estes cristais e pedras.
Chocante para mim é que se usem estes materiais sem saber as consequências para a saúde, bastando uma qualquer propriedade mística e do domínio do espiritualismo para se pôr o produto na pele dos consumidores.
Mas além deste motivo de saúde pública, existe para mim um outro mais profundo. A M.A.C. usa obras de arte concebidas pela Natutreza durante milhões de anos, irrepetíveis e que não se produzirão mais senão daqui a milhões de anos, para alimentar um acto de vaidade que se esvai ao fim de umas horas num toalhete, para o caixote do lixo.
Os cristais são, para um semi-mineralista que já fui, um milagre feliz da Natureza, uma conjugação de forma e beleza como há poucas. Que alguém os olhe como pó para pintar os olhos é para mim o sinal de uma cegueira irracional e motivada pelo fútil pelo fútil, ou pior, o fútil pelo lucro imediato. É como pegar nos quadros de Van Gogh e retalhá-los para fazer malas descartáveis de senhora. A este ponto chegámos no assumpção de que somos os donos de uma herança em que nascemos, e que, em rigor, não nos pertence, nós é que lhe pertencemos. Abominável!
segunda-feira, 11 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
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